{"id":23671,"date":"2025-08-27T14:58:39","date_gmt":"2025-08-27T17:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/repositorio.ippdh.mercosur.int\/dialogo\/cumbre\/ano-2006\/"},"modified":"2025-08-27T14:58:39","modified_gmt":"2025-08-27T17:58:39","slug":"ano-2006","status":"publish","type":"cumbre","link":"https:\/\/dialogosocial.ippdh.mercosur.int\/pt\/cumbre\/ano-2006","title":{"rendered":"A\u00f1o: 2006"},"content":{"rendered":"<p><strong>Edici\u00f3n:<\/strong> I<\/p>\n<p><strong>Pa\u00eds:<\/strong>\u00a0Bras\u00edlia, Brasil<\/p>\n<p><strong>Declarac\u00edon:<\/strong><\/p>\n<p>1. N\u00f3s, representantes dos movimentos sociais e populares, ONGs, e governos dos cinco<br \/>\npa\u00edses membros do Mercosul, integrantes do programa Somos Mercosul, nos reunimos<br \/>\nem Bras\u00edlia nos dias 13 e 14 de dezembro de 2006, durante a I C\u00fapula Social do Mer-<br \/>\ncosul \u2013 atividade convocada em parceria com o F\u00f3rum Consultivo Econ\u00f4mico e Social,<br \/>\na Comiss\u00e3o Parlamentar Conjunta e a Comiss\u00e3o de Representantes Permanentes do<br \/>\nMercosul. Ratificamos nessa oportunidade a Agenda Social emanada do I Encontro por<br \/>\num Mercosul Produtivo e Social, evento ocorrido em julho de 2006, em C\u00f3rdoba, na<br \/>\nArgentina, durante a XXX Reuni\u00e3o de Chefes de Estado do Mercosul.<br \/>\n2. Nossas conclus\u00f5es expressam o consenso alcan\u00e7ado pelas delega\u00e7\u00f5es presentes e visam<br \/>\no fortalecimento da agenda social e da participa \u00e7\u00e3o cidad\u00e3 no Mercosul. Os movimen-<br \/>\ntos e organiza\u00e7\u00f5es sociais e populares devem participar e incidir efetivamente no pro-<br \/>\ncesso decis\u00f3rio do Mercosul. Propomos, para tanto, a continuidade dessas experi\u00eancias,<br \/>\nde modo que as C\u00fapulas Sociais sejam, a partir de agora, apoiadas pelas Presid\u00eancias<br \/>\nPro Tempore como uma atividade permanente do movimento social, sempre realizadas<br \/>\nnos marcos das Reuni\u00f5es Presidenciais do Mercosul. Propomos ainda que os governos<br \/>\nap\u00f3iem e estimulem a participa\u00e7\u00e3o direta das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil em todos<br \/>\nos Subgrupos de Trabalho e nas Reuni\u00f5es Especializadas do MERCOSUL. e que sejam<br \/>\ncriados mecanismos para incorpor\u00e1-las como observadoras no Grupo Mercado Co-<br \/>\nmum (GMC) e no Conselho Mercado Comum (CMC).<br \/>\n3. Coincidimos no entendimento de que para avan\u00e7armos rumo a um Mercosul mais efe-<br \/>\ntivo e democr\u00e1tico \u00e9 fundamental enfatizar as dimens\u00f5es pol\u00edtica, social, trabalhista, am-<br \/>\nbiental e cultural da integra\u00e7\u00e3o regional, em complementa\u00e7\u00e3o \u00e0s dimens\u00f5es comercial<br \/>\ne econ\u00f4mica, superando o neoliberalismo. Conclamamos os governos a implementar<br \/>\nas diretrizes da estrat\u00e9gia de desenvolvimento social integral e produtiva emanadas da<br \/>\nXXX Reuni\u00e3o Presidencial do Mercosul.<br \/>\n4. Ratificamos, nos marcos da soberania nacional, do multilateralismo e da defesa da paz, a<br \/>\nimport\u00e2ncia de fortalecer e ampliar o Mercosul, em articula\u00e7\u00e3o com os diversos proces-<br \/>\nsos de integra\u00e7\u00e3o que est\u00e3o sendo desenvolvidos na regi\u00e3o, em particular na Am\u00e9rica<br \/>\ndo Sul. Ressaltamos a import\u00e2ncia da C\u00fapula Social dos Povos, realizada recentemente<br \/>\nem Cochabamba, Bol\u00edvia, durante a C\u00fapula da Comunidade Sul Americana de Na\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEnfatizamos as realiza\u00e7\u00f5es positivas do Mercosul, e apelamos para a intensifica\u00e7\u00e3o do<br \/>\ndi\u00e1logo e para o aprofundamento da dimens\u00e3o pol\u00edtica como caminho mais adequado<br \/>\npara contribuir para a integra\u00e7\u00e3o regional.<br \/>\n5. Saudamos a cria\u00e7\u00e3o do Parlamento do Mercosul e assumimos o compromisso de sub-<br \/>\nsidiar essa institui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com os indispens\u00e1veis aportes dos movimentos sociais, na<br \/>\nperspectiva de constru\u00e7\u00e3o de um Mercosul democr\u00e1tico e participativo. Enfatizamos a<br \/>\nnecessidade da composi\u00e7\u00e3o do Parlamento do Mercosul ter a participa\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria<br \/>\nde homens e mulheres, e de sua agenda incluir, com a \u00eanfase necess\u00e1ria, os temas da<br \/>\nigualdade de g\u00eanero, da igualdade \u00e9tnico-racial e dos direitos humanos.<br \/>\n6. Enfatizamos que a amplia\u00e7\u00e3o dos horizontes da participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 na tomada de de-<br \/>\ncis\u00f5es sobre o destino do Mercosul deve guiar a reforma institucional e visar o fortale-<br \/>\ncimento das pol\u00edticas p\u00fablicas regionais de car\u00e1ter social, imprescind\u00edveis para garantir a<br \/>\nsustentabilidade do desenvolvimento do bloco e assegurar que os benef\u00edcios advindos<br \/>\nda integra\u00e7\u00e3o sejam distribu\u00eddos de forma equ\u00e2nime, revertendo-se em melhoria da<br \/>\nqualidade de vida de nossas popula\u00e7\u00f5es.<br \/>\n7. Nesses marcos, sublinhamos a import\u00e2ncia do fortalecimento das pol\u00edticas regionais de<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o que respeitem e valorizem a diversidade cultural, racial, \u00e9tnica e de g\u00eanero e<br \/>\nque incorporem como fundamento os direitos humanos como elemento indissoci\u00e1vel<br \/>\nda cria\u00e7\u00e3o de uma cidadania regional. Defendemos, especialmente, a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edti-<br \/>\ncas de educa\u00e7\u00e3o para a integra\u00e7\u00e3o, de inclus\u00e3o educacional de segmentos vulner\u00e1veis,<br \/>\ndas pol\u00edticas de financiamento para a educa\u00e7\u00e3o e da valoriza\u00e7\u00e3o, em todos os n\u00edveis,<br \/>\ndos profissionais da educa\u00e7\u00e3o. Saudamos a realiza\u00e7\u00e3o do III F\u00f3rum Educacional do<br \/>\nMercosul, ocorrido em Belo Horizonte, em novembro de 2006, e endossamos suas<br \/>\nconclus\u00f5es. Conclamamos os governos a criar as condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento<br \/>\ndo ensino das l\u00ednguas portuguesa e espanhola, idiomas oficiais do bloco, em todos os<br \/>\npa\u00edses do Mercosul. \u00c9 igualmente imprescind\u00ed- vel garantir a utiliza\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e<br \/>\ntransmiss\u00e3o das l\u00ednguas maternas das popula\u00e7\u00f5es originais da regi\u00e3o, especialmente<br \/>\nnas \u00e1reas de fronteira.<br \/>\n8. Entendemos que o desenvolvimento social e econ\u00f4mico do Mercosul passa pela ela-<br \/>\nbora\u00e7\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o, monitoramento e avalia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de juventude<br \/>\nque se articulem transversalmente com as pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o, trabalho decente, cul-<br \/>\ntura, sa\u00fade, seguran\u00e7a p\u00fablica, interc\u00e2mbio de jovens, turismo, meio ambiente, esporte<br \/>\ne lazer. As pol\u00edticas p\u00fablicas de juventude devem ser compreendidas como prioridade<br \/>\npor todas as gera\u00e7\u00f5es e devem, necessariamente, contemplar o est\u00edmulo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o<br \/>\ndos jovens nas esferas de decis\u00e3o do bloco.<br \/>\n9. Para construirmos um Mercosul verdadeiramente democr\u00e1tico e participativo, conside-<br \/>\nramos fundamental formular uma estrat\u00e9gia de coopera\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para os \u00e2mbitos<br \/>\nda informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, cultura e conhecimento, contemplando acordos para po-<br \/>\ntencializar as redes regionais de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica e cidad\u00e3s, com um<br \/>\nsentido de eq\u00fcidade e respeito \u00e0 liberdade de imprensa, com a finalidade de contribuir<br \/>\npara a forma\u00e7\u00e3o de uma cidadania e uma identidade comum sul-americana.<br \/>\n10. Ressaltamos a centralidade da agenda do emprego e do trabalho decente para a estra-<br \/>\nt\u00e9gia de desenvolvimento e crescimento do Mercosul. Para tanto, propugnamos pelo<br \/>\ncumprimento da Declara\u00e7\u00e3o S\u00f3cio-Laboral do Mercosul e por garantias efetivas de fun-<br \/>\ncionamento do Observat\u00f3rio do Mercado de Trabalho, de modo a que sejam execu-<br \/>\ntadas as diretrizes da Estrat\u00e9gia Mercosul de Crescimento do Emprego. A articula\u00e7\u00e3o<br \/>\ndas cadeias produtivas, com o objetivo de gerar condi\u00e7\u00f5es de cria\u00e7\u00e3o de empresas e<br \/>\nempregos dignos, e o respeito e cumprimento dos direitos fundamentais dos trabalha-<br \/>\ndores e trabalhadoras constituem os par\u00e2metros essenciais dessa estrat\u00e9gia. Exortamos<br \/>\nos governos a agilizar e simplificar a regulamenta\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de traba- lhadoras<br \/>\ne trabalhadores no Mercosul; criar mecanismos de harmoniza\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses que<br \/>\ngarantam os direitos previdenci\u00e1rios; implementar o Plano Regional de Inspe\u00e7\u00e3o do Tra-<br \/>\nbalho; acelerar a harmoniza\u00e7\u00e3o das Normas sobre Higiene e Seguran\u00e7a no Trabalho<br \/>\ne o Plano Regional para a Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Infantil e a plena incorpora\u00e7\u00e3o das<br \/>\npessoas com defici\u00eancia. Defendemos o direito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o sindical de acordo com as<br \/>\nnormas internacionais do trabalho.<br \/>\n11. Entendemos que a sa\u00fade \u00e9 um direito universal, integral, que promove igualdade e exige<br \/>\nparticipa\u00e7\u00e3o, para que o desenvolvimento com justi\u00e7a social seja alcan\u00e7ado. Pol\u00edticas<br \/>\nconjuntas de sa\u00fade constituem excepcional ferramenta para promover a qualidade de<br \/>\nvida de nossos povos, pois garantem seu bem-estar. Os progressos obtidos t\u00eam fun-<br \/>\ndamental import\u00e2ncia para complementar pol\u00edticas de sa\u00fade. Entretanto, \u00e9 necess\u00e1ria<br \/>\nmaior articula\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses envolvidos no processo, a fim de otimizar resultados,<br \/>\nrevisar e atualizar temas priorit\u00e1rios e de interesse comum. Devemos atentar para as<br \/>\naltera\u00e7\u00f5es e os avan\u00e7os nos aspectos assistenciais, sanit\u00e1rios, tecnol\u00f3gicos, ambientais<br \/>\ne de recursos humanos nos pa\u00edses do Mercosul e estimular, junto \u00e0 sociedade civil, a<br \/>\ngest\u00e3o participativa e o controle social. Consideramos tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da cria\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo Observat\u00f3rio da Participa\u00e7\u00e3o Social e Gest\u00e3o Participativa no Mercosul, integrado \u00e0s<br \/>\ndemais redes de observat\u00f3rios existentes, promovendo a articula\u00e7\u00e3o com a Comiss\u00e3o<br \/>\nIntergovernamental de \u201cSistemas de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade\u201d (CISICS).<br \/>\n12. A reforma agr\u00e1ria, o combate \u00e0 viol\u00eancia no campo, o fortalecimento da agricultura<br \/>\nfamiliar, da economia solid\u00e1ria, da seguran\u00e7a alimentar e do cooperativismo s\u00e3o a\u00e7\u00f5es<br \/>\nindispens\u00e1veis para alcan\u00e7ar um modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Estas a\u00e7\u00f5es<br \/>\ndevem se tornar prioridades das pol\u00edticas p\u00fablicas dos pa\u00edses do bloco. Conclamamos os<br \/>\nPresidentes a implementar as recomenda\u00e7\u00f5es apresentadas pela Reuni\u00e3o Especializada<br \/>\nsobre Agricultura Familiar (REAF) e pela Reuni\u00e3o Especializada sobre Cooperativismo<br \/>\n(RECM). Defendemos ainda a implementa\u00e7\u00e3o no Mercosul das recomenda\u00e7\u00f5es da De-<br \/>\nclara\u00e7\u00e3o Final da Confer\u00eancia Internacional da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a<br \/>\nAlimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) sobre Reforma Agr\u00e1ria e Desenvolvimento Rural,<br \/>\naprovada em Porto Alegre, em Mar\u00e7o de 2006.<br \/>\n13. Comprometemo-nos com a promo\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no Mercosul<br \/>\ne Estados associados, saudando a cria\u00e7\u00e3o do Grupo de Trabalho sobre Educa\u00e7\u00e3o e Cul-<br \/>\ntura em Direitos Humanos e enfatizando a import\u00e2ncia de assegurar o direito \u00e0 verdade<br \/>\ne \u00e0 mem\u00f3ria, reconhecer as vulnerabilidades dos migrantes e refugiados nos pa\u00edses do<br \/>\nbloco, estabelecer estrat\u00e9gias de coopera\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o sexual,<br \/>\nracial e \u00e9tnica, a prostitui\u00e7\u00e3o infantil e o tr\u00e1fico de seres humanos e de elaborar uma de-<br \/>\nclara\u00e7\u00e3o de compromisso comum para a promo\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o dos direitos da crian\u00e7a<br \/>\ne do adolescente. Especial aten\u00e7\u00e3o deve ser dada aos direitos dos povos origin\u00e1rios,<br \/>\nparticularmente nas regi\u00f5es de fronteira.<br \/>\n14. Atribu\u00edmos prioridade \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de um marco jur\u00eddico de defesa dos direitos dos mi-<br \/>\ngrantes nos pa\u00edses do Mercosul e Estados Associados, reconhecendo o direito humano<br \/>\na migrar como direito \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia garantido em conven\u00e7\u00e3o,<br \/>\npacto e declara\u00e7\u00e3o internacionais, enfatizando a necessidade de garantir a seguran\u00e7a<br \/>\nhumana de todos os migrantes independente de seu status migrat\u00f3rio, denunciando e<br \/>\ncoibindo as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos nas fronteiras e da condu\u00e7\u00e3o desumana das<br \/>\ndeporta\u00e7\u00f5es e expuls\u00f5es coletivas de estrangeiros.<br \/>\n15. Destacamos a necessidade de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento regional urbano, in-<br \/>\ntegrado e sustent\u00e1vel para o conjunto de cidades. Para tanto propomos o reconheci-<br \/>\nmento, por parte dos governos dos pa\u00edses do Mercosul, do direito \u00e0 cidade como um<br \/>\ndireito humano fundamental. Os governos devem garantir os investimentos necess\u00e1rios<br \/>\npara o desenvolvimento de pol\u00edticas urbanas que d\u00eaem conta do problema da moradia<br \/>\nadequada, do saneamento ambiental e do acesso ao transporte p\u00fablico de qualidade,<br \/>\nprovendo, ao mesmo tempo, as condi\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o na<br \/>\ngest\u00e3o das cidades. Na mesma linha, reafirmamos a necessidade de fortalecimento dos<br \/>\nmecanismos de participa\u00e7\u00e3o dos governos locais e regionais no Mercosul e exortamos<br \/>\n\u00e0 instala\u00e7\u00e3o imediata do Foro Consultivo de Munic\u00edpios, Estados Federados, Prov\u00edncias<br \/>\ne Departamentos.<br \/>\n16. Exortamos nossos governos a ratificar a Conven\u00e7\u00e3o das Na- \u00e7\u00f5es Unidas para a Pro-<br \/>\nte\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e suas Fam\u00edlias e promover a respectiva<br \/>\nnormativa do Mercosul com vistas \u00e0 converg\u00eancia dos marcos jur\u00eddicos desses direitos<br \/>\nem nossos pa\u00edses, respeitando os direitos humanos dos migrantes independentemente<br \/>\nde seu status migrat\u00f3rio e multiplicando esfor\u00e7os para combater o tr\u00e1fico de pessoas e<br \/>\na explora\u00e7\u00e3o sexual. Enfatizamos que as mulheres e as crian\u00e7as s\u00e3o mais vulner\u00e1veis e<br \/>\nexpostas \u00e0s viola\u00e7\u00f5es desses direitos.<br \/>\n17. Conclamamos os governos dos pa\u00edses do bloco a alocar os recursos pol\u00edticos e econ\u00f4-<br \/>\nmicos necess\u00e1rios para a elimina\u00e7\u00e3o de todas as formas de viol\u00eancia contra a mulher.<br \/>\nA mesma prioridade deve ser dada \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade<br \/>\nreprodutiva e sexual. Enfatizamos a necessidade dos governos, articulados com movi-<br \/>\nmentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais, implementarem os compromissos assumidos na IV Con-<br \/>\nfer\u00eancia Mundial sobre a Mulher, na Conven\u00e7\u00e3o para a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas<br \/>\nde Discrimina\u00e7\u00e3o contra a Mulher (Conven\u00e7\u00e3o CEDAW) e na Conven\u00e7\u00e3o Interameri-<br \/>\ncana para Prevenir, Punir e Erradicar a Viol\u00eancia contra a Mulher (Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m<br \/>\ndo Par\u00e1) assim como as recomenda\u00e7\u00f5es da Reuni\u00e3o Especializada de Mulheres (REM).<br \/>\n18. Destacamos que o Mercosul deve contemplar o fortalecimento e a amplia\u00e7\u00e3o das di-<br \/>\nmens\u00f5es produtiva e social da integra\u00e7\u00e3o. O cooperativismo e a economia solid\u00e1ria<br \/>\ndevem ser apoiados por pol\u00edticas regionais como instrumentos eficazes para a cons-<br \/>\ntru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa, para a gera\u00e7\u00e3o de trabalho decente e renda e para<br \/>\na inclus\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es exclu\u00eddas. Apoiamos a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas regionais para a<br \/>\npromo\u00e7\u00e3o da pequena e m\u00e9dia empresa, o incentivo tecnol\u00f3gico e a produ\u00e7\u00e3o de ener-<br \/>\ngias renov\u00e1veis com crit\u00e9rios de sustentabilidade socioambiental. Ressaltamos, tamb\u00e9m,<br \/>\na necessidade de se estabelecer a\u00e7\u00f5es e uma legisla\u00e7\u00e3o comum de est\u00edmulo ao coope-<br \/>\nrativismo, \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e ao interc\u00e2mbio entre esses setores, estimulando<br \/>\na estrutura\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas.<br \/>\n19. Propugnamos a promo\u00e7\u00e3o de investimentos para o combate \u00e0s assimetrias entre os pa\u00edses<br \/>\ne no interior dos pa\u00edses do Mercosul, permitindo uma perspectiva conjunta de desen-<br \/>\nvolvimento socioecon\u00f4mico, coes\u00e3o social, complementaridade, sinergias, converg\u00eancia<br \/>\nestrutural e fortalecimento do processo de integra\u00e7\u00e3o. Nesse sentido enfatizamos a im-<br \/>\nport\u00e2ncia de consolida\u00e7\u00e3o do Fundo para a Converg\u00eancia Estrutural do Mercosul como<br \/>\num instrumento de apoio \u00e0s economias menores e aloca\u00e7\u00e3o de recursos para superar<br \/>\nas assimetrias regionais. Entendemos que os recursos destinados ao FOCEM devem ser<br \/>\nampliados e a sua atua\u00e7\u00e3o monitorada pela sociedade civil. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental arti-<br \/>\ncular os mecanismos de financiamento existentes atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de um organismo<br \/>\nregional de financiamento ao desenvolvimento no Mercosul. Ressaltamos a import\u00e2ncia da<br \/>\nmontagem de uma infraestrutura condizente com os objetivos definidos.<br \/>\n20. Observamos que os elementos definidores de um projeto de desenvolvimento sus-<br \/>\ntent\u00e1vel para a regi\u00e3o devem regular a pol\u00edtica comercial do Mercosul com terceiros<br \/>\npa\u00edses, estimulando cadeias produtivas e aproveitando ao m\u00e1ximo as complementarida-<br \/>\ndes existentes entre as diversas economias nacionais. O desenvolvimento regional deve<br \/>\narticular-se em torno de um poderoso mercado regional de consumo respons\u00e1vel, com<br \/>\nprimazia sobre outras propostas de integra\u00e7\u00e3o comercial que visam primordialmente \u00e0<br \/>\nexporta\u00e7\u00e3o para terceiros. A garantia dos direitos humanos, econ\u00f4micos, sociais, cul-<br \/>\nturais e ambientais deve prevalecer sobre eventuais tratados de com\u00e9rcio que venham<br \/>\na ser firmados pelo bloco. As negocia\u00e7\u00f5es para estes tratados com pa\u00edses e regi\u00f5es<br \/>\nextra-bloco devem ser subordinadas aos objetivos regionais de desenvolvimento.<br \/>\n21. Enfatizamos a necessidade de articula\u00e7\u00e3o entre os movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais<br \/>\ne populares e governos para garantir continuidade, no Mercosul e Estados associados,<br \/>\ndas recomenda\u00e7\u00f5es da Confer\u00eancia Regional das Am\u00e9ricas sobre os avan\u00e7os e desafios<br \/>\nno Plano de A\u00e7\u00e3o contra o Racismo, a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, a Xenofobia e Intoler\u00e2ncias<br \/>\nCorrelatas. Deve ser estimulada a troca de experi\u00eancias e melhores pr\u00e1ticas para a pro-<br \/>\nmo\u00e7\u00e3o da igualdade racial no bloco. Exortamos os governos a implementar o Plano de<br \/>\nA\u00e7\u00e3o de Durban e estabelecer novos mecanismos de avalia\u00e7\u00e3o de progressos e desafios<br \/>\nno combate ao racismo e todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses do Mercosul.<br \/>\n22. Consideramos priorit\u00e1rias a\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o cultural, com vistas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de<br \/>\numa identidade regional que leve em conta a diversidade da regi\u00e3o e o papel central<br \/>\nda cultura para o seu desenvolvimento. Exortamos nossos governos e parlamentos a<br \/>\nratificar a Conven\u00e7\u00e3o da UNESCO sobre a Prote\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o da Diversidade das<br \/>\nExpress\u00f5es Culturais, destacando o acesso \u00e0 cultura como caminho para inclus\u00e3o social<br \/>\ne constru\u00e7\u00e3o da cidadania. Defendemos a amplia\u00e7\u00e3o de recursos para a cultura e a inten-<br \/>\nsifica\u00e7\u00e3o do interc\u00e2mbio art\u00edstico das distintas linguagens \u2013 teatro, m\u00fasica, dan\u00e7a, artes<br \/>\ncircenses, artes visuais, audiovisual, literatura, entre outras, bem como a articula\u00e7\u00e3o de<br \/>\npontos de cultura e casas de cultura e das pol\u00edticas de patrim\u00f4nio, cultura digital e livro e<br \/>\nleitura. Enfatizamos a necessidade de integrar pol\u00edticas de cultura, educa\u00e7\u00e3o, juventude e<br \/>\ncomunica\u00e7\u00e3o, numa plataforma de desenvolvimento sociocultural do Mercosul.<br \/>\n23. Defendemos os recursos naturais e o acesso \u00e0 \u00e1gua em toda a regi\u00e3o. A \u00e1gua n\u00e3o<br \/>\n\u00e9 mercadoria, e recha\u00e7amos qualquer tentativa de privatiza\u00e7\u00e3o desse direito essencial<br \/>\npara todas as formas de vida. Em rela\u00e7\u00e3o ao Aq\u00fc\u00edfero Guarani, propomos uma regu-<br \/>\nla\u00e7\u00e3o regional, n\u00e3o subordinada \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, do uso desse<br \/>\nrecurso regional, sua prote\u00e7\u00e3o e garantia de exist\u00eancia para as gera\u00e7\u00f5es futuras. H\u00e1<br \/>\nnecessidade de implementar e fortalecer a participa\u00e7\u00e3o social na gest\u00e3o integrada das<br \/>\nbacias hidrogr\u00e1ficas e transfronteiri\u00e7as. Propomos a realiza\u00e7\u00e3o de uma confer\u00eancia so-<br \/>\nbre meio ambiente e recursos naturais no Mercosul. O desenvolvimento sustent\u00e1vel, a<br \/>\ndefesa da biodiversidade, a ratifica\u00e7\u00e3o dos tratados internacionais s\u00e3o fundamentos para<br \/>\na constru\u00e7\u00e3o de um Mercosul socioambiental<\/p>\n<p><strong>Fuente:<\/strong> https:\/\/www.mercosur.int\/documento\/las-cumbres-sociales-del-mercosur-ii-declaraciones-y-documentos-de-trabajo\/<\/p>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"class_list":["post-23671","cumbre","type-cumbre","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosocial.ippdh.mercosur.int\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/cumbre\/23671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosocial.ippdh.mercosur.int\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/cumbre"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosocial.ippdh.mercosur.int\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/cumbre"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosocial.ippdh.mercosur.int\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}